15.10.11

Duas fodas

Eu não vivo. Simplesmente me acomodo. Talvez por isso tenha passado tanto tempo com Regina. Regina era advogada e acreditava que isso significava alguma coisa. Ela também só gostava de freqüentar os motéis mais caros. Nesse dia, era algo como dois anos de namoro. E Regina escolheu essa puta suíte. Já que aquelas três horas não seriam baratas, eu queria fuder. Mas Regina não queria que eu a chupasse, porque sentia cócegas. Não podia ser de quatro porque doía. Não queria na piscina para não molhar o cabelo. De ladinho não dava, porque, sei lá, a lua era minguante. Fomos no velho papai e mamãe. Ela abriu as pernas e eu meti. Talvez Regina também estivesse de saco cheio de mim. O certo é que eu não estava sozinho na solidão daquele sexo. Seco. Pragmático. Eu metia e ela gemia na hora certa. Eu metia e percebia o tamanho da minha barriga. Eu metia e pensava, porra, o jogo do Flamengo é hoje ou amanhã? Interrompi meus pensamentos com vontade de mijar. Então acelerei as metidas até gozar. Aliás, eu não gozava. Simplesmente sujava Regina. Depois fui dar minha prazerosa mijada. Regina passou por mim, falou alguma coisa sobre jantar e entrou no chuveiro. Entrei na piscina. Recostei a cabeça na borda. E comecei a bater uma bronha de leve, tentando lembrar algo excitante. Foi quando que me lembrei de Aline.

Aline trabalhava no caixa de uma farmácia no centro da cidade. Não tivemos nada sério. Saímos poucas vezes. Ela era divertida, espontânea. Só queria fuder, de vez em quando. Como naquela noite. Encontramos um quarto no Love Story. Em meio ao fim do expediente dos camelôs na Rua Carlos Gomes. Não houve preliminares. Houve putaria. Chupa aqui, chupa ali, uma pirraça ou outra, risos, Aline gostava que eu lhe batesse uma siririca com a cabeça do pau, essas coisas. Depois meti de quatro. Primeiro, devagar. E ela fazendo miséria com aquele rabo. Depois comecei a bombar. Eu metia com força e Aline olhava para trás misturando dor com um riso safado. Eu metia e me sentia o rei daquela bunda. Comecei a socar o pau lá dentro. Com força, estupidez e fome. Aquilo pegava fogo. Ela berrava, xingava, chacoalhava o corpo. Pura insanidade. Uma foda assassina. Daquelas que se escuta pelas paredes finas dos motéis baratos. Uma homenagem a todos os estupradores da história. Não sou chegado à poesia, mas fuder é dar amor a uma buceta, e naquela noite eu amei a buceta de Aline. Amei imensamente.

Mas voltando à Regina. Quando ela saiu do banheiro, eu já havia largado minha porra na água da piscina. Ela procurava seus brincos.

- Tô morrendo de fome – ela disse
- Vamos no Oliveira.
- Chega de pizza. Queria uma coisa diferente.
- O quê?
- Vamos no Chez Bernard.
- Como é o nome?
- Chez Bernard.

Bem, eu não fazia idéia do que estava comendo. Mas o lugar tinha uma bela vista. Sabia que era caro. Mas Regina estava pagando. Nunca me importei com isso. Ela tentava me ensinar algumas coisas sobre o prato. O pior é que eu não conseguia mais ser engraçado para Regina. Esse é um momento crítico numa relação. Faltava graça naquela mesa. Então ela mudou de assunto e começou a falar da carreira. Que sua irmã havia se dado bem nos concursos públicos, que pensava em fazer um desses cursinhos especializados e mais alguma coisa que não prestei a mínima cota educada de atenção porque, por uns instantes, comecei a lembrar da última cena daquela noite com Aline no centro da cidade. Quando caminhamos até à Estação da Lapa e paramos para comer hambúrguer com sucão de laranja. Coisa de 2 reais. Aline com o olho vermelho porque eu havia gozado na sua cara, rindo e contando histórias engraçadas dos clientes da farmácia.

- Desculpa pelo olho – eu disse
- Eu devia jogar esse catchup picante no seu olho.
- Sério. Me sinto culpado pra caralho quando isso acontece.
- Só desculpo se você me pagar outro hambúrguer.
- Claro, vou querer outro também. Só não gostei do suco.
- Também achei azedo.

9 comentários:

Careca disse...

Mandou bem, Bono.
Abç,

jogadorcaro disse...

Muito bom, Paulo.

Mila disse...

Advogada chata, como de costume. Aquele chez bernard só tem de bom a vista.

Vitor disse...

Um dos melhores textos do blog, Bono.

Alvarêz Dewïzqe disse...

Isso eu chamo de entender das coisas realmente boas da vida. Um dos melhores, Bono, certamente um dos melhores!

Paulo Bono disse...

Careca,
Valeu, meu chapa.

Jogador caro,
Você o caro, sabe das coisas.

Mila,
Só fui essa vez. Não é pra mim.

abraço

Larissa Bohnenberger disse...

Advogada chata, como de costume. (2)

Adorei!

A viajante disse...

Quanto mais simples, mais prazer... claro, sem nada azedo.

Adriana Godoy disse...

Genial!