7.11.10

White Russian

Podemos chamar de esperança. No fim das contas, todos têm a mesma esperança quando a noite chega: fuder. Mas sabe aquela mulher que não dá pra encarar nem com todos os rótulos de álcool na mente? Pois é. Sou a versão masculina dessa história. Então apenas encosto no balcão do bar e peço uma dose. Fico por ali. Minha esperança sempre dorme mais cedo.

Já estava no segundo copo quando Vega apareceu. Vega e sua autoestima.

- Bebendo o quê, Bono?
- É uma homenagem ao Cara.
- Leite?
- E a loira?
- Alto calibre, hein, Bono?
- A mais gostosa da noite.
- Resolvi da uma encarada.
- Você é um cara durão, Vega.
- Se não tivesse comprado um boné hoje, eu pagava o cachê dela.
- Comprou um quê?
- Um boné. Aí deu uma desequilibrada nas finanças.

Depois Vega saiu por aí. Na esperança. Bem, eu já desisti faz tempo. Então fiquei no meu canto e pedi outra dose. Não importa a música nem o que você bebe. O balcão do bar é uma pista solitária. Eu apenas tentava sobreviver mais uma noite. E observava. Sabia que aquele não era o meu lugar. Não era minha festa. Músicas eletrônicas. Essas que todos fingem gostar, porque vêem nos comerciais da Som Livre, Summer Eltrohits, Hot Party Hits, Big Brother Hits, Big Night Hits Volume 2, essas merdas todas. Incrível como os baianos, por mais pagodeiros que sejam, hoje amam de paixão aquele Black não-sei-o-que-lá pis. Levantam os bracinhos, riem, soltam gritinhos com a sensação do momento, que repete a noite toda, que repete a noite toda, que repete a noite toda, que repe, que repe, que repete a noite toda. Como todos eles. Putinhas, viados, cocô-boys e xixi-girls, gente bonita, com rostos parecidos, que se repetem, todos iguais, com o piscar das luzes.

Então encostou uma putinha no balcão. Moreninha. Faceira. Dessas que não sabem o que beber e gostam de fazer escondido. Minha esperança abriu os olhos e tomou um trago.

- Que é isso? – ela disse.
- É uma homenagem ao Cara.
- Que cara?
- Experimente.
- É leite?
- Você gosta de um leitinho?
- Se enxerga, gordo!

Caiu fora, a malandrinha. Com medo do gordo.

- Não deu, hein, parceria? – disse o garçom enquanto enxugava o balcão.
- Percebeu que ela tem uma covinha no queixo?
- A morena?
- Não, minha pica!
- Vai com calma, chefe.
- Tô mais calmo que você, parceria. Capricha outra dose.

Por uns instantes, prestei atenção ao sacana do DJ. Dizia ele que estava trabalhando. Bem, publicitários dizem a mesma coisa. Foi nessa hora que o velho Ploc Monster apareceu. Ploc e sua mente doentia.

- Que porra é essa, Bono? Leite?
- É a puta que pariu.
- Falar nisso, que porra é aquela que você escreveu de minha mãe no blog?
- Eu podia casar com sua mãe, Ploc.
- Sacanagem da porra...
- Te daria até uma mesada.
- E o bosta do Vega? Disse que não comeu a loira porque já tinha dado 50 conto na porra de um boné.
- 50 conto?
- O bicho tá doido pra fuder. Eu tô na manha. Tô me divertindo. Tô feliz pra caralho. Nem preciso fuder. Eu só queria um boquete. Nem precisava meter. Só uma chupada, com a puta dando uma azunhadinha assim no meu ovo, sabe como é?
- 50 conto num boné é foda.
- E aquela morena?
- Qual?
- A de branco. Êta rabo gostoso.
- Prefiro sua mãe, Ploc.

A noite terminou mais ou menos assim. O final de sempre numa versão remix. Mais duas doses e uma punheta pelo ralo da vida.

18 comentários:

Vai de Táxi! disse...

Esse foi DO caralho. Um dos melhores que já li.

Posso até imaginar o "Vega" esfregando as mãos uma na outra e dizendo: "- Resolvi da uma encarada."

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

:D

A Mina do cara! disse...

Seu humor tá melhor que do que sua noite, hein. E 50 reais num boné tá bom, meu primo pagou 140. Tem bobo pra tudo, não tem?

Se isso fosse literatura, seria uma crônica?, um conto?...

um abraço

Mwho disse...

Bono,
Que boné caro, hein?!

Fábio disse...

Essa história me lembrou um chapa meu que possui uns trinta bonés, ele tem mais bonés do que eu tenho camisas, mas tem explicação: O sujeito é careca e tenta disfarçar... Deve ser para manter a tal esperança.

Abraços.

A viajante disse...

Bono, nem vc nem ninguém merece música eletrônica que repete, repete, repete....
Bj

Marcos Satoru Kawanami disse...

Bono,

já dizia minha avó, que punheta é a mais puta ilusão: tu pensa que tá com a mulher, mas tá é com um caralho na mão.

=D
Marcos

Paulo Bono disse...

Taxista,
Vega é um cara durão, porra!

Mina do Cara,
Eu já desisti de me fazer esta pergunta.

Mwho,
Gosto de boné quando vem de brinde.

Fábio,
Não tenho grana assim pra correr atrás da esperança.

Viajante,
Essas músicas me dão nos nervos.

Marcos,
Punheta não trai.

abraço a todos

Soneca disse...

Caraí, como é bom ler teus... Textos?!
Meu vô diria isso pro seu amigo,Vega: "Vá comprá farinha e fejão, cabra!"... 50 num boné? Só se for à prova de cornitude.

Inté
ps: Música eletrônica já vem programada pra te encher o saco.

Dexter disse...

50 paus num boné?
Música eletrônica?
Ficar sem comer ninguém?

Sifudê, véi!

Jesus disse...

paulo,

você vai pro céu!

jesus

Sunflower disse...

É bom saber que ele sempre estará por aí, o Cara.

beijos,

Rei.

Paulo Bono disse...

Soneca,
Só falto ter um infarto com música eletrônica.

Dexter,
Não dou 20 num boné e também não como ninguém.

Jesus,
Então a gente se vê lá.

Sunflower,
É o Cara.

abraço a todos

Alvarêz Dewïzqe disse...

balcão de bar é massa, é uma pista de dança, como você disse, onde se dança solitário.

Marcelo Mendonça disse...

gostei da descrição da boite hehehe...todos iguais.
Eu também só vou pra esse tipo de lugar, pra manter acordada a esperança.

pequena disse...

Pow Bono, black eyed peas é bom? Queria tanto ter ido no show =/
Mto foda o qye vc disse: "O balcão do bar é uma pista solitária. Eu apenas tentava sobreviver mais uma noite.".

Larissa Bohnenberger disse...

Ahaahahahahah! Sempre choro de rir quando venho aqui!

Bjs!

Paulo Bono disse...

Dewïzqe,
Você é autoridade.

Mendonça,
Já desisti dessas coisas.

Pequena,
Foda-se o Black eyed peas.

Larissa,
Isso deve ser bom. Venha mais.

abraço

Fabrício Romano disse...

Gordo onanista do caralho, Heitor Dhalia deveria ler esse blog.