17.10.08

Até o Pau Amolecer

Um dia desses encontrei Nina. Estava mais bonita. Parecia feliz. Tenho a impressão que toda mulher que me dá um pé na bunda se sente feliz e realizada.

- Como é que você tá? – ela perguntou.
- Ainda tô gordo.
- Besta.
- Você tá mais magra.
- Nunca mais comi pizza.
- Como é que tá o pirata? – perguntei, me referindo a seu novo namorado. Um tipo malhado, que ganhava a vida vestido de pirata fazendo uns coquetéis idiotas numa boate idiota.
- Tá bem. Trabalhando.
- Aposto que sua mãe gosta dele.
- Não começa, Paulo. Me conta, ainda tá na agência?
- Fala a verdade, ele te leva pra ver filme do Vin Diesel.
- Vai começar?
- Se fudeu. Agora tem que esperar ele lustrar o carro, e ver filme do Vin Diesel.
- Eu vou embora.
- Tô brincando. O pirata é gente boa. Mas como é nome daquele filme? A Batalha de Ridículo?

Ela foi embora.

Quando penso em Nina, a primeira coisa que me vem à cabeça é o yakisoba que ela fazia. A segunda é uma foda hardcore que batemos numa tarde qualquer quando estávamos os dois desempregados. A geladeira vazia. Ela fez uma panela de pipoca. E rachamos um restinho de suco de maracujá. Não tinha porra nenhuma na TV. Nada pra fazer. Nina perguntou “Vamos fuder?” E eu disse “Chupa aqui!”. Foi só o tempinho do último gole do suco. Ela deixou meu pau todo engordurado de pipoca, ela mesma limpou. Nina era incrível. Além de fazer um puta yakisoba, era uma boa puta na cama. Deitei-a de bruços e a comi do jeito que ela gostava. Com toda força que me restava na vida. Lembro que começou a chover. A janela aberta. Já estávamos nos molhando. Mas ficamos ali até gozarmos feitos dois monstros. Acho que foi a maior gozada da minha vida. Certa vez um amigo me disse que amar era fuder e, quando acabar, não ter vontade de dar um soco na cara da putinha. É mais ou menos isso. Fiquei ali. Deitado e enterrado sobre as costas de Nina até o pau amolecer, e lhe disse sobre sua nuca encharcada de suor “Eu te amo, porra!”. Ela estava ofegante. Mas acho que ela disse assim “Eu também”.

10.10.08