5.8.07

Chato e Sacana

Nesse tempo Nina dividia um apartamento com Alice. Era uma contadora. Simpática, baixinha e de bochechas enormes. Quando íamos tirar fotografia, eu dizia “Alice, você está comendo alguma coisa?”, e ela dizia “Deixa minhas bochechas em paz, Paulo”. Alice era uma boa garota. Nesse dia, ela estava com a garganta fodida, não podia sair, e Nina não queria deixá-la sozinha. Nina sempre foi uma puta amiga das amigas. Então combinamos um programa caseiro. Além de Fred, o namorado fresco de Alice, Nina chamou Paty Pequena e Barata, um casal de amigos do tempo de cursinho. Cada um levou alguma coisa, e a noite de sexta correu macia.

- Bono – disse Fred – minha prima tá estudando propaganda.
- Ela é gente boa? – eu perguntei.
- É, Luciana, Nina conhece, ela fez...
- Diz pra ela fugir enquanto é tempo – eu disse.
- A área tá ruim? – perguntou Paty Pequena.
- Não existe área alguma – eu disse.
- Toda área tem seus problemas – disse Barata – não há pra onde fugir.
- É verdade – disse Fred.
- Por isso vou largar tudo e abrir minha locadora – eu disse.
- Mas tem o lance da pirataria – disse Paty Pequena.
- Então fudeu – eu disse, tomando uma golada do meu vinho.

Nina estava junto à mesa, com Alice, preparando alguns petiscos. Percebi o quanto Nina estava bonita naquela noite. Havia algo especial nela. Eu não sabia exatamente o quê. Mas eu me sentia bem em lembrar que aquela mulher magnífica estava comigo. Ela voltou da mesa com torradas, patês e salaminho. O salaminho era uma surpresa. Nina piscou e sorriu pra mim.

- E o vinho, gente – Nina perguntou – o que acharam?
- Uma delícia – disse Paty Pequena.
- Foi Bono que trouxe – Alice disse.
- Calma, bochecha – eu disse – fui na dica de Nina.
- Sim, Paty, e os shows? – Nina perguntou.
- Os shows tão indo – disse Paty Pequena – talvez eu cante no Bela Noite semana que vem.
- Se for mesmo, avisa que a gente vai – disse Nina.

Paty Pequena cantava na noite. É verdade que a base de seu repertório era Ana Carolina, mas a pequena tinha talento. Uma vez a assistimos num bar GLS. Cantava e tocava seu violão com força e simpatia. Além de cantar muito bem, Paty Pequena era verdadeira. Isso é uma coisa rara em Salvador.

- Paty – disse Alice – o bom de cantar na noite é que você conhece um monte de gente, né?
- É, tem umas pessoas legais – Paty respondeu.
- E ainda ganha convites e cortesias pra um monte de festas – disse Barata – mês passado ela ganhou dois convites pra festa de aniversário de Dona Canô.
- Gente, eu tirei foto com Dona Canô. Ela é tão fofa – disse Paty Pequena.
- Fofa é minha mãe – eu disse.
- Ai, meu Deus, vai começar – disse Nina.
- O que? – perguntou Paty Pequena.
- Eu detesto esse “Canoismo” – eu disse.
- “Canoismo” como assim? – perguntou Barata.
- Quem é dona Canô? – eu perguntei.
- Mãe de Caetano e Bethânia – disse Fred.
- Só isso – eu disse – Ela é só a mãe. Não foi ela quem compôs Podres Poderes. Por que essa adoração pela velha?
- Ah, Bono, não fala assim – disse Paty Pequena – ela é tão doce, tão...
- Doce é dona Zinha, mãe de Fred – eu disse – Dona Zinha é um doce de pessoa, e ninguém anda por aí idolatrando dona Zinha. Minha mãe, a mãe de Nina, sua mãe, a mãe de todo mundo aqui é tão doce ou mais que dona Canô. Agora, é dona Canô isso, dona Canô aquilo. “Dona Canô chamou, eu vou”. Eu vou uma porra! Dona Canô não manda em porra nenhuma. E ainda tem aquela parte “Aquele preto que você gosta, aquele preto que você gosta...” Ainda por cima, a velha é racista. Me diz o que é que essa velha tem de mais? Se eu estiver errado, me diga. Mas o que é que ela faz de especial? Ela traz um monte de outras velhas lá de Santo Amaro pra ficarem arranhando garfo no prato, e todo mundo dizendo que aquilo é música. Boa merda.
- Ela ajuda pessoas carentes – disse Paty Pequena.
- Ela tem dinheiro, porra! Os filhos, que realmente têm talento, ganham dinheiro, dão a ela, e ela ajuda quem precisa. Ótimo, louvável. Mas se eu tivesse algum talento, ganhasse dinheiro e desse uma bolada pra minha mãe, com certeza ela abriria uma fundação. Nada pessoal contra a velha. Merece respeito como qualquer outra pessoa de idade. Se eu visse dona Canô em pé no ônibus, eu cederia o lugar pra ela sentar. Mas discordo completamente desse símbolo sagrado que fazem dela.
- “Discordo” – disse Nina – você só sabe dizer isso. Seu chato!
- Bono tem alguma razão – disse Barata.
- Boa, Barata – eu disse.

Foi quando Nina se levantou pra reabastecer o salaminho. E enquanto a turma aproveitava o embalo pra discutir as chatices atuais de Caetano e a constância de Chico, eu observava Nina. Ela estava realmente muito especial naquela noite. Muito bonita. Percebi que ela vestia uma saia longa e branca que desenhava bem suas curvas e permitia ver o traçado e a cor branca de sua calcinha. Sua bunda estava apetitosa, redonda. Era aquilo. A saia branca e a bunda de Nina. Aquela era a mágica da noite. Eu não conseguia mais ouvir o que Paty Pequena dizia sobre Chico Buarque. Eu só pensava na bunda de Nina. Senti meu pau endurecer. Lembrei que não ia rolar nada naquela noite. Nina e Alice combinaram não transar no apartamento, pelo menos quando a outra estivesse. E Nina não ia querer deixar a amiga sozinha. Mas eu pensava muito na bunda de Nina. Até que Fred tomou o último gole da garrafa de vinho.

- O vinho já era, pessoal – disse Fred.
- Tem mais na geladeira – disse Nina – espera que eu pego.
Nina foi até a cozinha. Eu pedi licença à turma e a segui.

Quando cheguei na cozinha, Nina pegava outra garrafa de vinho na geladeira. Eu segurei e apertei sua bunda. Falei em seu ouvido:
- Deixa eu dar um beijo em sua bunda.
- Você é maluco? – Nina perguntou.
- Só um beijo – eu disse.

Nina era espetacular. Ela nem fechou a geladeira. Levantou descaradamente a longa saia e expôs aquela bunda maravilhosa contornada pela calcinha branca. A bunda de Nina estava mais gostosa do que eu imaginava. Eu me agachei e dei um beijo na bunda. Não me contentei e a beijei mais vezes. Podíamos ouvir a voz de Barata falando sobre o Ministro Gil, mas não tínhamos pressa nem juízo. Fizemos tudo devagar. Mordi de leve aquela carne branca e macia, e depois comecei a lamber toda a bunda de Nina. Ela gemeu e olhou pra baixo, vendo eu lambuzar seu rabo. Nina inclinou ainda mais o quadril a ponto de me revelar o montinho de sua xoxota guardada na calcinha. Enfiei minha cara bem no meio de sua bunda, cheirei e beijei. Deslizei minha língua de baixo pra cima. Nina deu outra gemida. Então dei um último beijo molhado em sua bunda e me levantei. Nina ajeitou a saia e fechou a geladeira. “Você é chato e muito sacana” – disse Nina antes de me beijar.

Então voltamos pra sala, dando tempo ainda pra eu dizer que Gil é e sempre será, ao lado de Gonzagão, o grande gênio da música brasileira. A noite realmente correu macia. O vinho que Nina me pediu pra comprar era muito bom mesmo. O papo sobre música acabou quando as meninas inventaram de brincar de mímica. Títulos de filmes. Homens contra mulheres. O placar foi 25 a 23 para elas.

9 comentários:

Jana disse...

Então,

nós temos formação publicitária, achamos a área fudida e não recomendamos pra ngm. Não sabia que vc era de Salvador... coisas que descobrimos com a leitura dos textos são muito mais gostosas que qdo elas são previamente feitas.

A Nina é mais sacana que vc, ela deixou, gostou, e ainda te chamou de sacana pra limpar a barra dela.

Beijos,
J.

Menáge à Trois disse...

Já sou fã da Nina!!! Ela é sortuda por dois grandes aspectos:
1- Tem uma bunda linda, que da vontade de morder.
2- Tem um cara que não pára de lhe elogiar.

Bjos

Como ninguém

Joana disse...

bravooooooo!
já lhe disse que sou fã de seus textos?
e ver alguém aumentar o meu coro dizendo que gil e gonzagão são mesmo os genios da raça, ah, ah, que espetacular. vida longa a voce, querido paulo. quanto a mim, estou dando uma parada nessa de escrever, acho que estou enjoando. enfim, quando voltar volto e te reconvido a ler o que ando produzindo. beijosss!

ADRI disse...

Ah então tá. Gostar ou não da vó Canô era só para puxar assunto? rssssssssss

4rthur disse...

Texto foda, mermão! Minhas considerações:

1. Caetano é chato pra caralho, principalmente o novo. Imita o David Bowie e acha que é o i do Mississipi;

2. Chico é muito bom, mas o trabalho novo caiu na mesmice;

3. O ministro é foda, principalmente naquele disco ao vivo de 74, onde o cara literalmente pira;

4. nem conheço dona Canô, não moro aí, mas entendo perfeitamente essas modinhas de idolatria e fico meio puto com essas coisas. Tua crítica foi muito pertinente e bem colocada;


5. A descrição da bunda da Nina foi perfeita! Visualizei tudo, até o pastel de cabelo aparecendo por trás tal qual um travesseirinho de fronha impecavelmente branca. Lembrei, na hora, do Cheiro do Ralo, aquele filme em que o Selton Mello se apaixona por uma bunda:

"Eu não quero casar com essa bunda. Eu quero é comprar ela pra mim".

4rthur disse...

Sobre o Cheiro do Ralo, escrevi aqui:

http://absurdosturos.blogspot.com/2007/04/ontem-noite-fui-ao-odeon-com-minha.html

E sobre o tal disco do Gil, aqui:

http://absurdosturos.blogspot.com/2007/03/1974.html

E agora, dá licença que vou continuar minha peregrinação pelos seus textos antigos.

Ane Brasil disse...

Cara, salve Chico Buarque... o resto, bem, o resto teve seu momento um dia.... ou não! hehehe
Sorte e saúde pra todos - sobretudo pra Nina

Hanni disse...

Querido Bono,

Sei q fui peça inspiradora p a personagem Paty Pequena, e não posso deixar de elogiar a sua sensibilidade nas falas de tal personagem...é como se eu tivesse ME escutando. E "fofa" foi justamente o adjetivo q usei p descrever Canô, após ter tirado uma foto com ela.
Parabéns !!
Beijo carinhoso...
Ah.. vou deixar o endereço do meu blog aqui, p vc dar uma passada lá e ver o q ando escrevendo, queria uma visão crítica.
www.hanniluando.blogger.com.br

Adriano Carôso disse...

Grande Bono,
Desde ontem tenho me deliciado com seu blog. Desse jeito acabo os textos hoje mesmo!
Eu tinha escrito num texto meu,http://adrianocaroso.blogspot.com/2007/05/eu-lhe-entrego-mirian-ou-sangue-de.html, que queria ver o homem com coragem de chamar D. Canô de racista. Pois é, no seu blog conheci um. Embora goste muito de como aborda tudo que fala, acho que as vezes abusa do direito de falar merda. Mesmo que com competência! Não concordo com a idolatria a D. Canô mas achei a forma como se referiu a ela e "as outras velhas de Santo Amaro" no mínimo deselegante. Não conheço D. Canô pessoalmente mas minha mãe viveu a infância na casa dela e garante que ela é uma mulher da porra e um doce de pessoa! Eu acredito na minha velha.
Quanto a bunda de Nina, suei frio de ler a descrição. Uma delícia como ela. A bunda é claro!

Abraços