14.3.07

Virando o Jogo

Nada. Já passam das onze, e a noite de sábado tem a terrível aparência do nada. Nem um filme na TV, nem um livro, nem um rosto conhecido, nem uma memória, nem uma vontade, nada. Evito aparecer na janela e ver outros solitários em suas janelas. Sinto vergonha de não ter o que fazer, de não ter um convite. São 44 do segundo tempo e a derrota se aproxima, mais uma derrota na temporada da alta estação em Salvador. Resisto e não durmo. Apanho de pé dessa noite de sábado.

Quando toca o telefone.

- Alô.
- Paulo? – É uma mulher. Voz conhecida.
- Oi.
- Sabe quem tá falando?
- Claro. Tudo bom, Salmone?
- Tudo. Você sumiu.
- É, tô por aqui.
- Por que nunca mais ligou?
- Sei lá. Não ando ligando pra ninguém, Salmone. E você, como é que tá?
- Eu? Tô sozinha.
- Sei como é.
- Sozinha e cheia de tesão.
- Nossa.
- Paulo, por que você não vem até aqui e me come?
- Agora?
- Já. Tô doida pra ser fodida.
- Porra.
- Vem logo.
- Tá bom.
- Vou deixar a porta aberta. Venha direto pro quarto.
- Tá ok.
- Vamos fazer assim: não fala comigo.
- Como assim?
- Não diga nada. Apenas me fode e pronto.
- Ah, tá certo.

Salmone é arquiteta. Não é bonita, nem feia. Gosta de poesia, fala bem e tem classe. Já gosta de uma putaria. E isso é tudo que a gente precisa quando se está sozinho numa noite de nada. A merda é que ela mora na Barra. Devo gastar uma grana lerda com o táxi. Mas a sorte quando vira é de vez. Encontro Cumpadi, um amigo taxista, e ele garante um desconto.

Em 20 minutos estou em frente à porta do apartamento. Está aberta. Entro e fecho a porta. É um apartamento pequeno e tem poucos móveis. Não ouço nada. Sigo as regras e caminho em direção ao quarto. Ao chegar à porta do quarto me deparo com a cena mais safada dos últimos dez anos, e meu pau sobe imediatamente. Salmone está de quatro na cama. Sensualmente, ela rebola sua bunda gorda. A boceta lembra um abará gigante. E o enrugadinho está lá, olhando para mim. Puta merda, como essa mulher rebola.

Tiro minha roupa e me aproximo. Dou um tapa seguro naquele abará sacana. Aperto com força e esfrego. Ouço um gemido. Vontade danada de chamá-la de cadela, mas sigo as regras e não falo nada. Fico de joelhos e, por alguns instantes, olho para o abará. Cheiro. Farejo. Tem cheiro de boceta. Dou umas três lambidas curtas e depois uma grande lambida. Ela geme alto. Seguro firme o rabo e começo a chupá-la devagar. Ela empina a bunda cada vez mais e rebola cada vez mais à medida que intensifico as chupadas. Sinto o caldo escorrer no meu queixo. O grande abará está vivo, quente e ensopado. O enrugadinho pisca para mim avisando que a hora é essa. Levanto, ponho a porra da camisinha e coloco só a cabeça do pau. Ela empina a bunda para trás, buscando mais alguma metragem de rola. Coloco toda. Ela geme. Tiro. Ela empina a bunda. Coloco toda mais uma vez e ajeito até achar o melhor encaixe. E agora eu meto bem metido. Ela geme, respira fundo. Meto com força e de verdade. Ela grita e rebola. Sou um faminto mal-educado devorando sem modos um abará gigante com pimenta e vatapá. Ficamos doidos até gozar. Então desaceleramos, satisfeitos. Dou um tapa forte na bunda e tiro o pau. Cansada, ela deita de bruços. Eu tiro a camisinha e a jogo na cama. Visto minha a roupa em silêncio, deixo o quarto, passo pela sala, saio do apartamento e fecho a porta.

Já passam da meia noite. Desço a ladeira sem pressa, sem preocupações. Lembro que amanhã tem jogo do Flamengo pela TV e que essa semana tem a grana de um freelance para entrar. Perfeito. Perfeito como o tom de azul escuro que o céu veste essa noite. Só agora percebo. Faz realçar bem as estrelas. Um azul bacana mesmo. Reconheço também que algo dessa baianidade toda que falam por aí é verdade. Não digo os artefatos coloridos que o BA TV mostrava nos tempos áureos do ACM. Falo desse ventinho gostoso que sinto agora, do menino que ajuda a baiana a desarmar o tabuleiro para ganhar um acarajé, da zoada ali no boteco, do cochilo do taxista, do casal de amantes debaixo do orelhão, da plenitude vivida nas ruas de Salvador.

A noite é tão glamourosa que encontro o ponto de ônibus cheio. É sempre bom ter companhia a essa hora da noite. Bem em frente ao ponto tem um boteco. Resolvo ir lá. Tem umas figuras estranhas e umas putinhas soteropolitanas. Todos felizes. Tem até uma animada mesa de sinuca. Essa turma sabe como se divertir. Peço uma Coca-Cola gelada. Bebo com prazer e solto o arroto da vitória.

7 comentários:

André Avelino disse...

Comentei mas não saiu, então volto a repetir: você está se tornando um gordinho escatológico, vai acabar tomando porrada de mulher na rua, acho que você andou lendo muito Carlinhos de Oliveira, de qualquer forma, o conto tá redondinho (sem duplo sentido, por favor)

O maximo disse...

O maximo, essa tambem. Crises de riso!!!Me conta: A Salmone existe??? Fala a verdade que eu vou voltar pra conferir, ta?

poupéezinha.. disse...

caiaio..
é.. a essência masculina é realmente um tapa na cara rapái.. tá celto;
mesmo assim, achei fooooodaaaa, erotismo mais sacana e filho da puta-
escrotamente do caralho;
rs!
bj- syssy

Lola disse...

Puta que pariu, graças a Deus existem mulheres como estas e homens bem dispostos a satisfazê-las!

DWeber disse...

Graças a Deus existem mulheres e uma terra como essa chamada Bahia onde as energias emanam e afloram voluptuosamente a vontade convidando o "cabra" (ser humano) para momentos inexplicáveis, sacanas e quase surreais. Taí mais um "salmonado" pelo freela mais sacana da Bahia!!! Esse irmão-bróther - com toda a redundância física e literária - Paulo Bono!!!

4rthur disse...

Salmone? Tu tá de sacanagem. Inventou essa porra. Não a história, que parece verídica, mas o nome. Bom, pela diversão, imagino que a referência ao peixe tenha terminado na grafia e não se manifestado no aroma do abará.

Maníaco 01 disse...

Q nome esquisito é esse??? De onde vc tirou isso?? Esta pessoa existe?? Simone, Salame... mas Salmone?? Diferente, rsrsrs... responde aê!!!